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Mostrando postagens de novembro, 2022
  ANTIDIÁRIOS DE JUNHO I — Retomo esta sina de dividir em versos os íntimos dos dias multiplicados na ordem do relógio do vírus que desmaia entre as covas. E há ainda os tais juízes dos tribunais boquirrotos das redes que determinam quem morre e quem vive… Quem fala e quem convive com as glórias virtuais dos emojezinhos e das curtidas. Continuo só no silêncio estrondoso de um poema vazio que inaugura o junho de vinte infestado pela pandemia. E no frio da noite alta separo o corpo pesado do espírito e navego nos cirros amontoados deste outono esquisito. Escrevo antidiários reincidentes e preparo um novo rodopio que me livre da navalha dos martelos e me lance no infinito. II Os meus versos vêm quase sempre da foto da janela aberta — e de lá do mesmo barraco do morro e da sua luz amarela que tinge as dobradiças da manhã num bege feito aquarela. Pressinto aquela amargura vinda da ânsia de futuros inertes ao preferir o pó da traça que habita nos meus livros velhos. Encosto na claridade ...